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quarta-feira, 16 de março de 2011

Os Primeiros Clássicos do Colorado (Década de 10)

POR: Raul Pons

Alguns adversários colorados na primeira década de vida. O principal rival, por ter uma história razoavelmente conhecida, não vai aparecer aqui.

Fussball Club Porto Alegre: foi fundado em 15.09.1903, pelos ciclistas da Sociedade Blitz (Rodforvier Verein Blitz). Alguns fundadores: C. Rosenfeld, Guilherme Trein, Hugo Brenner, Oscar Matte, Otto Niemeyer e Rodolfo Campani. Seu campo se localizava em um terreno cedido pelo Dr. Luiz Englert, na rua Voluntários da Pátria. Em 1911 a prefeitura abriu uma nova rua, que cortou o campo ao meio. Mudou o nome para Football Club Porto Alegre, em 1917, por força da I Guerra Mundial. Viveu dois grandes momentos, em 1923, quando classificou-se para a final do campeonato municipal, que nunca ocorreu, e em 1928, quando contratou Eurico Lara e ganhou o Torneio Início, mas fracassou no municipal. O clube chegou a ter um bom estádio, a Chácara das Camélias, mas perdeu força e desapareceu no início dos anos 1940.

Grêmio Foot Ball 7 de Setembro: foi fundado em 15.08.1909, com as cores branco e verde. Entre seus fundadores, algumas pessoas e famílias ligadas ao Internacional: Lothario Kluwe, João Kluwe, Archymedes Fortini e Guilherme Kluwe. Participou da fundação da Liga de Foot-Ball Porto Alegrense, em 1910. Seu campo ficava no Menino Deus. Após um desentendimento com os demais clubes, retirou-se da Liga em 1912, desaparecendo pouco depois.

Militar Football Club: Clube formado por alunos da Escola de Guerra, em julho de 1909. Ganhou o primeiro campeonato municipal, em 1910, mas foi extinto no início de 1911, com a transferência da Escola para o Rio de Janeiro.

Fussball Manschaft Frisch Auf: Clube ligado à atual Sogipa, há discordâncias sobre o ano de fundação, 1908 ou 1910. Desapareceu em 1917. Suas cores eram o branco, preto e vermelho.

Sport Club Nacional: Fundado em 07.08.1909 por Henrique Desjardins, José Luiz Fagundes e Arlindo Ramos, entre outros. Participou, em 1910, da fundação da Liga de Foot-Ball Porto Alegrense. Era alvi-negro. Em 1912 levou 16x0 do Internacional (maior goleada colorada). Fechou as portas no mesmo ano.

Sport Club Colombo: Já estava em atividade em 1911. Disputou alguns campeonatos municipais, fechando as portas em 1915 ou 1916.

Sport Club Americano: Fundado em 04.07.1912. Demorou para ingressar na liga oficial, mas obteve alguns bons resultados na década de 1920, quando foi campeão municipal em 1924, 1928 e 1929, e campeão gaúcho em 1929. Tinha seu campo na Rua Larga, próximo ao HPS. No início da década de 1940, enfraquecido, tentou uma fusão com um grupo de estudantes, passando a chamar-se Americano-Universitário. A fusão deu errado e o time faliu.


No início de 1913, a sala de troféus colorada já contava com uma taça disputada em um torneio interno, em 1911, com o troféu ganho no amistoso contra o União, de Pelotas, em 1912, e com a Taça 12 de Abril, do campeonato municipal de 2º quadros de 1912. Mas faltava ainda um título oficial.

Nessa temporada, seria disputado o 4º campeonato da cidade. Em 1910, o extinto Militar levantara a taça, e nos dois anos seguintes o Grêmio sagrara-se campeão. Em 1913 novamente o Tricolor da Baixada surgia como favorito, mas o Internacional prometia endurecer a disputa.

Além da dupla Gre-Nal, disputavam o campeonato as equipes do Colombo, Frisch Auf e Fussball. Retornavam à liga o Frisch Auf (que se desfiliara no final de 1910) e o Fussbal (que abandonou o campeonato de 1912), enquanto o Colombo estreava na competição.

Na sua primeira partida, o Colorado já teve pela frente o mais forte rival. Jogando em casa, na Chácara dos Eucaliptos, o Internacional perdeu por 2x1. Ainda não seria dessa vez que derrotaríamos o Grêmio.

O campeonato prossegue com mais alguns jogos, em que Grêmio e Internacional vão se mostrando superiores aos demais. A terceira força do campeonato era o Fussball. No jogo entre Internacional e Fussball, houve desavenças em relação à arbitragem. O árbitro da partida, sócio do Grêmio (os árbitros, na época, eram sócios dos clubes), foi acusado pelos atletas colorados de favorecer o Fussball, na partida que terminou empatada em 1x1. Inconformados com a acusação, Fussball e Grêmio abandonaram a liga.


Sem adversários a altura, o Internacional passeou no restante do campeonato, goleando os dois clubes remanescentes. Na abertura do returno, em 24 de agosto de 1913, o Internacional venceu o Colombo por 6x0, conquistando o título por antecipação.

O time-base colorado, neste campeonato, foi: Russomano; Ary e Simão; Barbieri, Carlos Kluwe e Pedro Chaves; Túlio, Galvão, Bendionda, Müller e Vares.

Destacavam-se na equipe o lateral-esquerdo Pedro Chaves, o centroavante Bendionda e o ponteiro-esquerdo Vares, que muitos diziam só não ter chegado à Seleção Brasileira, nos anos seguintes, porque atuava no sul do país. Mas o craque da equipe e líder dos jogadores era Carlos Kluwe, talvez o primeiro grande herói colorado.

Partidas:

1º Turno

22.06 Internacional 6x0 Colombo

10.08 Internacional 10x1 Frisch Auf

31.08 Colombo 4x0 Frisch Auf

2º Turno

24.08 Internacional 6x0 Colombo

28.09 Internacional 5x1 Frisch Auf

05.10 Colombo 5x1 Frisch Auf


A partida entre Colombo e Frisch Auf, do 1º turno, ocorreu após iniciado o 2º turno.

Além destas partidas, o Internacional jogou mais duas, que foram desconsideradas por seus clubes terem abandonado a liga.
08.06 Grêmio 2x1 Internacional

06.07 Internacional 1x1 Fussball

Classificação final - pontos ganhos (considerando apenas as equipes que disputaram o campeonato até o final):

1º Internacional - 8

2º Colombo - 4

3º Frisch Auf - 0

Nota: Equivocadamente, algumas listas consideram o Grêmio campeão citadino de 1913 pela Associação de Foot-Ball Porto-Alegrense. Esta entidade, no entanto, só foi criada no 2º semestre de 1914. Após abandonarem a Liga, Grêmio e Fussball limitaram-se a disputarem amistosos, no restante do ano de 1913.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Ranking do Campeonato Brasileiro

Concordo plenamente com a observação do Alexandre Limeira.
Abraços
Alessandro “Campeão de Tudo”

Com a unificação dos títulos de 1959 a 1970, o ranking mais popular do Campeonato Brasileiro tem nova pontuação. Veja agora como ficou a pontuação atualizada de 1959 a 2010.

Observação: Sou contra a unificação dos títulos, pelo simples motivo que a formula da Taça Brasil era semelhante a Copa do Brasil, com qualificação conforme campeonato estadual. Tem campeões com apenas quatro jogos. Concordo com a unificação da Taça Roberto Gomes Pedrosa, pois esta tem o formato do Campeonato Brasileiro.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Há 30 anos, Dupla treinava para o Gre-Nal de 20 de setembro


Gremista, presidente da República havia confirmado presença no clássico

Um clássico Gre-Nal agitava o Gauchão de 1979 há 30 anos atrás. Inter e Grêmio se enfrentariam no Estádio Olímpico pelo Gauchão, no dia 20 de setembro. Até mesmo o presidente da República, o gremista João Figueiredo, havia confirmado presença no clássico marcado para o aniversário da Revolução Farroupilha. As informações são da coluna Há 30 anos em ZH.


No Grêmio, o foco era total para a partida. No dia 17 de setembro de 1979, acabava a folga de oito dias para os titulares. Supervisionado pelo técnico Orlando Fantoni (D), o preparador físico Ithon Fritzen (E) começava a comandar o time. É que Fritzen seria o comandante tricolor após o clássico, durante a licença do treinador.


– Será uma partida diferente, em um dia especial, e até o presidente da República estará no Olímpico – disse o técnico Fantoni, ao justificar a escalação da equipe titular.

Já o Inter realizava no dia 17 várias mudanças na comissão técnica. Primeiro, o clube assinou contrato com o preparador físico Gilberto Tim (D). No início da noite, o clube anunciou a demissão do técnico Zé Duarte. Em seu lugar, entrava Ênio Andrade (E), que já fora contratado para substituir Duarte e tinha estreia prevista para depois do Gre-Nal.


Além disso, o clube anunciava a volta de Cláudio Duarte, que havia treinado o Inter antes de Zé Duarte, e agora assumia o cargo de supervisor da equipe. Com esta comissão técnica, o Inter conquistaria o tricampeonato brasileiro invicto.

O Gre-Nal de 20 de setembro de 1979 terminou em 1 a 1. Leandro abriu o placar para o Grêmio e Jair, o Príncipe Jajá, empatou com um gol de bicicleta. Mas o grande personagem do confronto foi Jurandir, o gremista que marcou o craque Falcão.

Fonte: ZERO HORA

Ficha da Partida:
20/09/1979
Grêmio 1x1 Inter - GRENAL #250
Estádio Olímpico (Porto Alegre-RS).
Renda: Cr$ 1.539.850,00
Juiz: Aírton Domingos Bernardoni, com Jorge Silva e João da Silva Mendes (trio gaúcho).
Grêmio: Manga; Vilson, Vantuir, Anchetta e Dirceu; Vitor Hugo, Leandro (Iúra) e Jurandir; Tarciso, Baltazar e Éder.
Inter: Benítez; João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Jair e Falcão; Chico Spina, Washington (Mário) e Mário Sérgio.
Gols: Leandro 4/2 e Jair 34/2.
Expulsões: Jurandir 43/2 e Mário Sérgio 43/2.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Caras Novas e Velhas no Beira-Rio

Edu e Eller são apresentados com a mesma meta: a taça do Brasileirão
Atacante, ex-Betis, e zagueiro campeão mundial com o Colorado em 2006 reforçam o clube gaúcho no segundo turno do Nacional

Alexandre Alliatti
Porto Alegre

Fabiano Eller e Edu são apresentados no Inter

Para Edu, há nove anos fora do país, o Inter é uma novidade. Para Fabiano Eller, campeão da Libertadores e do Mundial com o Colorado em 2006, cada canto do Beira-Rio é como um pedaço da casa dele. Os dois reforços vermelhos, apresentados oficialmente na tarde desta terça-feira, vivem momentos diferentes na relação com o clube gaúcho. Mas eles coincidem em um ponto fundamental para a torcida do Inter: a ambição de encerrar o ano com o título do Brasileirão.
Edu, formado no São Paulo, jogou na Europa por quase uma década. Defendeu o Celta e o Bétis, onde foi ídolo. Ao retornar para o Brasil, o jogador levou em conta especialmente a possibilidade de ser campeão.
- Tive propostas de outros clubes do Brasil. Quando cheguei das férias, quando terminou o Campeonato Espanhol, o Inter já demonstrou um interesse muito grande em mim. Sou sabedor de que o Inter é um clube grande, que sempre briga por títulos. Espero ajudar o Inter a ganhar esse título que não conquista há muito tempo – disse Edu.
O Inter não é campeão brasileiro desde 1979. Com Fabiano Eller na zaga, e jogando muito, o clube ganhou a Libertadores e chegou ao topo do planeta, mas seguiu sem nova taça nacional. No retorno ao clube, o defensor sonha com o título.
- Sei que temos time para isso. É um elenco muito bom, que está se fortalecendo. Consequentemente, podemos disputar uma Libertadores no ano que vem – comentou Eller.
Luís Eduardo Schmidt, o Edu, nasceu em Jaú (SP), em 10 de janeiro de 1979. Tem 30 anos e 1,82m. Ele joga na articulação e como atacante. O contrato vai até agosto de 2011.
Fabiano Eller dos Santos, natural de Linhares (ES), tem 31 anos. Foi revelado no Vasco e também defendeu Palmeiras, Flamengo, Al-Wakra, dos Emirados Árabes, Fluminense, Trabzonspor, da Turquia, Atlético de Madri, da Espanha, e Santos. Assinou até 31 de dezembro de 2011.



quarta-feira, 15 de abril de 2009

História do Inter é recheada por grandes treinadores

por Dassler Marques

Há grandes esquadrões que, de tão bons, levantam taças, independente de quem esteja no comando. É o caso do Rolo Compressor, que entre as seis temporadas do hexacampeonato gaúcho, teve oito técnicos diferentes. Mas não costuma ser assim sempre e o Internacional, em 100 anos de história, teve alguns grandes treinadores à frente de suas equipes.

É o caso de Francisco Duarte Júnior, mais conhecido como Teté, o grande comandante do Rolinho, que seria o sucessor do Rolo Compressor. De tão bom que era o treinador, a equipe virou a Máquina do Teté, tetracampeã gaúcha entre 50 e 53.

Abel Braga conquistou as taças mais importantes do Internacional

Nas linhas abaixo, o Terra continua sua série de especiais sobre o centenário do Sport Club Internacional, com os cinco principais treinadores da história colorada.


Francisco Duarte Júnior

Homem de origens ligadas ao militarismo, Francisco Duarte Júnior chegou a ser major do Regimento de Pelotas, mas obteve sua condecoração máxima como treinador. Dirigiu Farroupilha, Brasil de Pelotas, Guarany de Bagé, General Osório, Cruzeiro, Nacional e, finalmente, o Sport Club Internacional, que lhe rendeu o apelido de Marechal das Vitórias Coloradas.

Teté, como era mais conhecido, foi o treinador do Rolinho, que conseguiu ser quase tão bom quanto a equipe que sucedeu, o Rolo Compressor. Permaneceu à frente do Inter entre 1950 e 57, tendo conquistado três dos quatro títulos gaúchos consecutivos na década de 50. Ainda voltou a vencer o Estadual em 55 e foi um dos raros casos de técnicos da Seleção Brasileira que, naquela época, não era carioca.

Com vários jogadores de sua equipe, a Máquina do Teté conquistou o primeiro título internacional da história da Seleção: os Jogos Pan-Americanos de 1956, no México. Em 1960, ainda retornou ao Inter, em uma curta passagem perto de tudo que conseguira na década anterior.


Daltro Menezes

Treinador do Inter por quase quatro temporadas inteiras, entre 1968 e 71, Daltro Menezes construiu sua reputação, especialmente, pelos trabalhos que fez no Rio Grande do Sul. Como gaúcho, não negava seu DNA e é lembrado como o primeiro comandante a fazer os colorados jogarem o que se chamava de futebol de força.

A divisão de estilos de se jogar futebol fez com que Daltro precisasse administrar uma crise envolvendo Bráulio, um dos principais jogadores do Inter na época. Havia quem pedisse a cabeça do craque, pois significava uma forma pouco eficiente de jogar, e também quem o defendesse com vigor.

Como indica o tricampeonato gaúcho de 69 a 71, Daltro Menezes teve sucesso em suas preferências. Depois, ainda dirigiria clubes como Juventude, Ceará, Vitória e, também, o rival Grêmio.


Rubens Minelli

A combinação quase perfeita entre as partes tática e técnica marcou a carreira de Rubens Minelli, que além de fazer história com Palmeiras, São Paulo e outros clubes, teve uma passagem marcante pelo Internacional, solidificando sua carreira no Beira-Rio e sendo o mentor da equipe que dominou o futebol brasileiro na década de 70.

Se Manga, Falcão, Carpegiani, Figueroa e todos os ícones do Inter entraram para a história, parte disso se deve ao trabalho meticuloso e dedicado de Minelli, que era tido por muitos como um treinador à frente do seu tempo no entendimento do futebol.

Isso tudo fez do Inter um time duro de ser batido, tanto que teve, em 1976, o melhor aproveitamento da história de um campeão brasileiro. Um ano antes, daria aos colorados o primeiro título nacional, graças ao "gol iluminado" de Figueroa. Minelli ainda foi tricampeão gaúcho, entre 74 e 76.


Ênio Andrade

Conhecido como um dos grandes campeões do futebol brasileiro, o treinador Ênio Andrade conquistou um de seus títulos nacionais sob o comando do Internacional, ratificando o rótulo de estrategista. Foi com o clube colorado que se notabilizou como o único a vencer o Brasileiro de forma invicta, em 79.

Depois do bicampeonato com Minelli em 75-76, Ênio recebeu a missão de reconstruir a equipe com novos jogadores, o que conseguiu realizar muito bem. Rapidamente, as indicações do treinador foram absorvidas e o que se viu em campo foi um time praticamente imbatível.

Ênio ainda foi campeão nacional com o Grêmio, em 81, e com o Coritiba, em 85, mas jamais deixou de ter sua imagem ligada ao Inter. Tanto é verdade que retornou ao Beira-Rio em outras quatro oportunidades: 1987, 1990 e 1993, sem repetir o mesmo sucesso.


Abel Braga

Com cinco passagens pelo Internacional no currículo, Abel Braga já estaria na história do clube apenas por isso. Mas o apaixonado treinador ainda comandou os colorados na inesquecível temporada de 2006, ano em que esqueceu os vice-campeonatos de Copa do Brasil que trazia com Flamengo e Fluminense para, depois de ainda perder o Campeonato Gaúcho para o Grêmio, escrever a história: campeão da Copa Libertadores e do Mundial de Clubes.

No biênio 88-89, em sua primeira passagem pelo Inter, Abel foi vice-campeão brasileiro e, em seguida, levou o clube à semifinal da Libertadores. Nos difíceis anos 90 dos colorados, ainda retornou em duas oportunidades, mas sem sucesso.

Em 2007, deixou o clube depois de ser eliminado na primeira fase da Libertadores e sem chegar às finais do Campeonato Gaúcho. Voltou poucas semanas após Alexandre Gallo ser demitido e ainda ganhou um Estadual. Predestinado, Abel sempre peitou os críticos e defendeu Adriano Gabiru: dito e feito, o jogador fez o gol do maior título do Internacional em 100 anos de vida.

Fonte: Terra Esportes

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

GRENAL DO SÉCULO, 20 anos depois...

Fazem 20 anos hoje, mas ainda está bem vivo na minha memória.

O GRENAL 297 foi ímpar, valia a classificação para a final do Brasileirão de 1988, era um domingo de quase 40º, os dois times vinham de uma ótima campanha no campeonato, mas o Inter levava uma pequena vantagem, tinha a igualdade nos dois jogos e na prorrogação do seu lado.

A primeira partida, no Olímpico, tinha ficado nos 0x0.

Então a decisão foi para o Gigante, lotado, com quase 80 espectadores.

O Grêmio saiu na frente, logo em seguida, ainda no primeiro tempo, nós perdemos o lateral-esquerdo Casemiro expulso. O Grêmio perdia muitos gols, tanto que o célebre Rubens Minelli perdeu o controle no vestiário. Foi o que abriu o caminho para a derrota, segundo Alfinete, lateral-direito daquele time:

— O time estava com alegria, leve. No vestiário, o Minelli deu uma bronca e tirou o brilho do time. Disse que estávamos de brincadeira, de palhaçada. Ali perdemos o Gre-Nal.

Enquanto isto, no vestiário alvi-rubro, Abel Braga em vez de xingar, ficou por 10 minutos em um canto fitando o nada.

O centroavante Nilson sentou nas espreguiçadeiras de madeira e pensou:

— Hoje não vai ter jeito mesmo.

Antes de mandar o time a campo, Abel saiu da letargia e anunciou que o atacante Diego Aguirre entraria no lugar do volante Leomir. O ponta-esquerda Edu Lima fecharia o lado esquerdo com Norberto. E antes do time entrar para a segunda etapa gritou:

- Vocês fizeram esta porcaria. Voltem lá e resolvam.

O goleador do campeonato Nílson, resolveu!


Os gols de Nilson desestruturam o Grêmio. Aos 16, empatou o jogo. Aos 26, virou, ao aproveitar cruzamento de Maurício. Na comemoração, imitou o personagem Sassá Mutema, um cortador de cana interpretado por Lima Duarte na novela O Salvador da Pátria. Maurício garante que o cruzamento foi mecânico.
— Quando ia em direção à área, ele (Nilson) corria para o segundo pau. Sabia onde mandaria a bola. Chutei e ele botou o biquinho. Metade do gol é meu – diverte-se.

Naquele instante, os jogadores do Grêmio já não se entendiam.

— No segundo gol, nosso time se perdeu. Ninguém acreditava. O Minelli alertou para ficarmos espertos – recorda o ponteiro-esquerdo Jorge Veras.

Nilson se lembra de ver os jogadores do Grêmio discutindo em campo. O goleiro Mazarópi, lá de trás, havia diagnosticado antes da virada um relaxamento do time. O mesmo que havia enfurecido Minelli no vestiário. O meia do Inter Luís Carlos Martins se desdobrava em campo e ainda tentava entender a engenharia tática feita por Abel Braga:

— Este Gre-Nal dificilmente será superado, pelas circunstâncias. O Abel fez o contrário, ficamos com quatro atacantes.

Depois do segundo gol, Nilson se virou para a torcida e, acenando com as mãos, gritava:

— Tchauzinho, acabou para vocês.

A poucos minutos do fim, Maurício foi substituído e saiu de braços abertos, imitando um avião. Os colorados, ensandecidos, pareciam não acreditar no que viam. Os gremistas, abalados, também não.

Infelizmente perdemos o título para o Bahia, mas conquistamos o inesquecível GRENAL DO SÉCULO!!!

Ficha da partida:
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Data: 12/02/1989

Campeonato Brasileirão de 1988 (Semifinal - 2º jogo)
Placar: S.C. Internacional 2x1 Grêmio F.B.P.A.
Local: Estádio Beira-Rio (Porto Alegre-RS).
Renda: NCz$ 58.944,00
Público: 78.083
Juiz: Arnaldo Cezar Coelho.
Inter: Cláudio André Taffarel; Luís Carlos Winck, Nenê, Aguirregaray e Casemiro Mior; Norberto, Leomir (Diego Aguirre) e Luís Carlos Martins; Maurício (Norton), Nílson e Edu Lima. Técnico: Abel Carlos da Silva Braga.
Grêmio: Mazarópi, Alfinete, Trasante, Luís Eduardo e Aírton; Paulo Bonamigo, Serginho e Cristóvão; Jorginho, Marcus Vinícius e Roberto (Reinaldo Xavier). Técnico: Rubens Francisco Minelli.
Gols: Marcus Vinícius 25/1, Nílson 15/2 e Nílson 26/2.
Cartões Amarelos: Trasante e Aírton.
Expulsão: Casemiro 38/1.


Mais sobre o Grenal 297 em:
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Esportes&newsID=a2402513.xml

Ênio Vargas de Andrade

Jogador e técnico de futebol, nasceu em Porto Alegre/RS, no dia 31 de março de 1930 e faleceu aos 67 anos em sua cidade natal, no dia 22 de janeiro de 1997.

O JOGADOR

O Jogador

Jogador técnico e inteligente, Ênio iniciou a carreira no São José. Destacou-se no Internacional, mas apesar dos títulos, foi negociado com o Renner de Porto Alegre. Lá, formou o grande esquadrão da história do clube do bairro Navegantes. No final de 1958 foi negociado com o Palmeiras. No Verdão, iniciou o campeonato de 1959 como titular, mas perdeu a posição para Chinesinho (também ex-Internacional). Com a saída de Chinesinho, Ênio foi novamente preterido, com a contratação do carioca Ademir da Guia. A seguir, Ênio atuou em Pernambuco, e voltou ao São José, para encerrar a carreira de jogador e iniciar a de técnico.

Como jogador atuou nas seguintes equipes:


  • São José (Porto Alegre) - 1946-49
  • Internacional (Porto Alegre) - 1950-51
  • Renner (Porto Alegre) - 1952-58
  • Palmeiras (São Paulo) - 1958-61
  • Náutico (Pernambuco) - 1961
  • São José (Porto Alegre) - 1962

Títulos como jogador:

  • Campeão metropolitano em 1950, 1951 (Internacional) e 1954 (Renner)
  • Campeão gaúcho em 1950, 1951 (Internacional) e 1954 (Renner)
  • Campeão paulista em 1959 (Palmeiras)
  • Campeão da Taça Brasil em 1960 (Palmeiras)
  • Campeão panamericano em 1956 (Seleção Brasileira)

O TÉCNICO

O Técnico

Como técnico Ênio Andrade faria história em campeonatos brasileiros. Foi três vezes campeão, com três equipes diferentes: Internacional (1979), Grêmio (1981) e Coritiba (1985). Também foi duas vezes vice-campeão, com o Grêmio (1982) e Internacional (1987). Sua maior ligação foi com o Internacional e o Cruzeiro, clube que foi a casa do velho treinador, em seus últimos anos de carreira.

Sua filosofia simples de trabalho, que conquistava os jogadores, podia ser resumida em uma frase do mestre: "Eu perdi, nós empatamos, vocês ganharam".

Equipes pela qual Ênio Andrade disputou o campeonato brasileiro:
- 1975 Grêmio
- 1976 Santa Cruz
- 1977 Sport Club Recife
- 1978 Juventude
- 1979 Internacional
- 1980 Internacional
- 1981 Grêmio
- 1982 Grêmio
- 1984 Náutico Capibaribe
- 1985 Coritiba
- 1986 Sport Club Recife
- 1987 Internacional
- 1988 Palmeiras
- 1989 Cruzeiro
- 1990 Internacional
- 1991 Internacional
- 1992 Cruzeiro
- 1994 Cruzeiro
- 1995 Cruzeiro

Resumo:
361 partidas
151 vitórias
100 empates
110 derrotas
20 campeonatos disputados