quarta-feira, 11 de março de 2009

A equipe mais antiga do Brasil

Vocês sabem qual foi o primeiro clube de futebol do Brasil? Certamente muitos devem ter imaginado se tratar do Sport Clube Rio Grande/RS. Estão enganados...

Das equipes em atividade, realmente a agremiação gaúcha é a "vovó" do futebol, pois foi fundada ainda no século XIX, mais precisamente na data de 19 de julho de 1900 e há 107 anos ainda disputa o Campeonato Gaúcho - atualmente o da 2ª divisão. Muitos ainda podem pensar que Flamengo, Vasco, Vitória e Ponte Preta são mais antigos que o Rio Grande. Entretanto, é bom esclarecer que os 3 primeiros citados foram fundados, sim, antes dos gaúchos, mas não nasceram como clubes de futebol. Já a Ponte foi criada 23 dias mais tarde, em 11 de agosto de 1900.

Mas o time pioneiro do nosso futebol é o São Paulo Athletic Club (chamado nos dias de hoje de Clube Atlético São Paulo), fundado mais cedo ainda que os descritos acima: 13 de maio de 1888 (no dia da abolição da escravatura no Brasil). E mais interessante: a equipe foi idealizada por alguns amigos numa mesa de bar. Vale ressaltar que este clube nada tem a ver com o atual campeão brasileiro São Paulo Futebol Clube. Vejamos...

A Princesa Isabel, Regente do então Império do Brasil, assinava a Lei Áurea. No mesmo dia, numa mesa de bar na rua São Bento, em São Paulo, vários engenheiros britânicos da recém construída São Paulo Railway e outros comerciantes da cidade, entre uma bebida e outra, se animavam conversando sobre a idéia de fundar um clube social-esportivo, onde poderiam disputar seu jogo predileto, o críquete, bem como compartilhar horas de lazer com as famílias. Entre eles estavam William Snape, William Speers, William Fox Rule, Peter Miller, Percy Lupton e Charles Walker. E dessa mesa de bar surgiu o São Paulo Athletic Club, ou simplesmente SPAC, o primeiro clube da cidade de São Paulo.

A princípio, como já exposto, a associação apenas tinha o críquete como esporte oficial. Mas em abril de 1895 ocorreu oficialmente a primeira partida de futebol da história do Brasil. São Paulo Railway (SPR) X The Gas Co., a companhia de gás da cidade, duelaram num campo de terra batida na Várzea do Carmo, na capital paulista. O resultado da partida foi 4 a 2 para o SPR, com dois gols do ilustre Charles Miller, o introdutor do esporte em nossa terra.

Mas pode-se perguntar: e o onde está o SPAC nessa partida pioneira? Resposta: está nos jogadores, muitos deles atletas da associação à época. E este jogo é considerado a semente para a grande e rica história de nosso futebol no país.

O SPAC teve o futebol de competição (o profissional nos dias atuais, pois naquela época o futebol ainda não era profissionalizado) desativado antes no ano de 1912. Hoje mantém em seus quadros várias outras modalidades esportivas, além do futebol estritamente amador - destacadamente o rúgbi, cuja equipe é uma das mais fortes do cenário nacional. Mesmo em sua curta história futebolística ainda conseguiu faturar o tricampeonato paulista em 1902, 03 e 04.

Fonte e imagem: Site oficial do SPAC

terça-feira, 10 de março de 2009

O Inventor do Pênalti

O veterano esportista dirigente irlandês Mac Crum, falecido em 1933, foi considerado o realizador do tiro penal, em 1891. Numa revista européia de esportes acabamos de ler que a pena máxima surgiu em 1898. Narra-se até a história do nascimento do clássico tiro das 12 jardas, em que, por sinal, não figura o nome de Mac Crum.
Pode ser, no entanto, que tenha havido esquecimento. Parece estranho, porém, que as datas não coincidam. Se Mac Crum inventou o pênalti em 1891, como se entende que haja outra versão dando como adotada somente em 1898 tal punição? Deve tratar-se, talvez, de engano de datas.
A sua origem, como iremos ler a seguir, nada indica que tivesse sido idéia de um só dirigente. Eis como se conta a história do pênalti e a evolução de sua regulamentação:
“No ano de 1898, em fins de novembro, dois quadros ingleses disputavam, em Trenton Bridge, uma partida da Taça da Inglaterra. Tratava-se dos clubes Stoke e Notts Country e o jogo estava sendo acirradamente disputado. Próximo do fim do prélio, o resultado era de 1 a 0, favorável ao Notts. Este, porém, já estava dando sinais de cansaço, pelo esforço produzido, e acabou cedendo terreno. O quadro contrário apertou o domínio, para poder empatar, e tudo fazia crer que a vantagem seria desfeita, merecidamente.
Nos últimos dois minutos, depois de um novo ataque, um tiro poderoso encaminhou a bola em direção às redes do Notts e estando deslocado o arqueiro um zagueiro não teve outro remédio se não intervir milagrosamente para dar um soco na bola, com o que evitou que entrasse. Cometeu, pois, um toque. O juiz concedeu imediatamente, segundo os costumes que então vigoravam, um tiro livre. Os jogadores do Notts Country fizeram barreira sobre a linha da meta, para defender a bola, que era atirada de qualquer posição, quando das infrações. Naturalmente, foi difícil fazer o tento e assim os jogadores do Notts conseguiram conservar uma vitória que não mereceram. Isso desgostou o pessoal do clube vencido.
O Stoke enviou, ao invés, um protesto à entidade, para que a vitóriafosse anulada e declarado o jogo empatado. A federação, porém, agiu de outro modo. Confirmou a vitória do quadro em questão mas resolveu modificar as regras, em relação ao toque perto da meta. Foi resolvida, daí, a criação do tiro de rigor de 12 metros (anos mais tarde foi reduzido a 11 metros), ficando no lado atacado apenas o guardião, na defesa das redes. Pode ser que a idéia tenha partido, dentro da entidade, de Mac Crum. Daí ter ficado este com a paternidade do pênalti.
A inovação, todavia, acusou um defeito que o próprio Stoke, logo mais, devia sofrer as conseqüências. Alguns domingos depois, num encontro também da Taça, entre aquele clube e o Astor Villa, o Stoke perdia com a mesma contagem de 1 a 0 e o fim do prélio se aproximava, enquanto que o seu ataque se lançava na ofensiva, procurando empatar. Formou-se um embolo perto da meta, originando-se a infração que devia transformar-se no primeiro tiro penal do futebol. A coincidência quis, pois, que fosse justamente o clube que deu margem à sua criação o primeiro a ser beneficiado com um penal por decisão do árbitro.
Aconteceu, entretanto, que um zagueiro contrário, desesperado com a punição, deu um pontapé no couro para enviá-lo propositadamente fora do campo, que naturalmente não era grande como os estádios de agora. A bola ultrapassou o muro, perdendo-se. Como vemos, logo na estréia do penal no futebol houve complicações e indisciplina. Enquanto se procurou a bola, os minutos que faltavam se esgotaram e o juiz apitou o final do jogo, sendo por isso mantido o resultado de 1 x 0.
O clube prejudicado deu o estrilo, mais uma vez, protestando contra o seu veres, por aquela anormalidade. Criou-se, assim, mais um caso, e a federação inglesa resolveu fazer outra modificação na respectiva regra. Ficou desde ali decidido que o tempo seria aumentado até ser executado um penal, caso se findasse antes de ser cobrado.
Em 1903, foi ainda aperfeiçoada a regra do penal. Desde então estabeleceu-se que o penal não devia ser marcado quando viesse a prejudicar o quadro atacante. Todos que conhecem as leis do jogo sabem que se antes da bola entrar um jogador do lado que se defende comete um toque, o tento é considerado válido, ficando sem efeito a infração.
Existiu um outro defeito técnico que levou muito tempo para ser corrigido. Tratava-se da posição que tomava o arqueiro ao ser batido o penal. Adiantava-se demasiado, de modo a reduzir muito o espelho da meta, ao jogador que batia o penal. Em 1930, os doutos das regras resolveram que o arqueiro deve ficar imóvel. Essa disposição, como estamos cansados de constatar, dá margem a muitos incidentes, quando o arqueiro se move irregularmente e o tiro é repetido, se o juiz não tolera. Se o árbitro, porém, não faz caso da irregularidade, deixa desrespeitar as regras. Diremos, todavia, que mesmo as maiores autoridades sobre assuntos de regras ainda não sabem dizer, ao certo, se o guardião deve ficar completamente imóvel, como uma… estátua, antes de partir o tiro, ou se pode mexer o corpo, uma vez que estejam os pés firmes sobre a linha.

Fonte: Diário de Pernambuco

sábado, 7 de março de 2009

Saci Múmia

Campanha Colorada

Primeiro campeonato profissional do mundo

1888 The Preston North End Foot-Ball Club

Há exatos 121 anos, era disputado o primeiro campeonato profissional do mundo – A Liga Inglesa de Futebol. O primeiro campeonato nacional da história do planeta foi jogado em 1888, três após o futebol ter se tornado profissional na Inglaterra. Seu primeiro jogo foi realizado no Pike’s Lane Ground entre o Bolton Wanderers e o Derby County. O vencedor foi o clube visitante, o Derby County que goleou o Bolton por 6x3. O primeiro gol oficial da história do futebol foi marcado por James Kanyon Davenport (1862 – 1908) aos dois minutos de jogo. Mesmo sem clubes de Londres (os londrinos rejeitaram a profissionalização e por isso ficaram fora da liga), o campeonato que contou com 12 clubes foi um sucesso e seu modelo onde todos jogavam contra todos em turno e returno, sendo declarado campeão o clube com maior número de pontos, permanece imutável na Inglaterra (posteriormente adotado pela maioria dos países do mundo). Ao término da competição, o Preston North End conquistou o título de forma invicta, vencendo 18 jogos e empatando 4. A equipe do Preston somou 40 pontos (naquela época cada vitória valia 2 pontos), marcou 74 gols, sofreu 15 e ainda teve o artilheiro da liga – John Goodall que marcou 21 gols em 21 jogos (Goodall ficou uma partida sem jogar). Todos os clubes que disputaram o primeiro campeonato profissional de futebol do mundo, ainda fazem parte da liga inglesa de futebol. Classificação Final da temporada 1888/89 01 – Preston North End FC 40 pontos 02 – Aston Villa FC 29 pontos 03 – Wolverhampton Wanderers FC 28 pontos 04 – Blackburn Rovers FC 26 pontos 05 – Bolton Wanderers FC 22 pontos 06 – West Bromwich FC 22 pontos 07 – Accrington FC 20 pontos 08 – Everton FC 20 pontos 09 – Burnley FC 17 pontos 10 – Derby County FC 16 pontos 11 – Notts County FC 12 pontos 12 – Stoke City FC 12 pontos.
Há exatos 121 anos, era disputado o primeiro campeonato profissional do mundo – A Liga Inglesa de Futebol. O primeiro campeonato nacional da história do planeta foi jogado em 1888, três após o futebol ter se tornado profissional na Inglaterra. Seu primeiro jogo foi realizado no Pike’s Lane Ground entre o Bolton Wanderers e o Derby County. O vencedor foi o clube visitante, o Derby County que goleou o Bolton por 6x3. O primeiro gol oficial da história do futebol foi marcado por James Kanyon Davenport (1862 – 1908) aos dois minutos de jogo. Mesmo sem clubes de Londres (os londrinos rejeitaram a profissionalização e por isso ficaram fora da liga), o campeonato que contou com 12 clubes foi um sucesso e seu modelo onde todos jogavam contra todos em turno e returno, sendo declarado campeão o clube com maior número de pontos, permanece imutável na Inglaterra (posteriormente adotado pela maioria dos países do mundo). Ao término da competição, o Preston North End conquistou o título de forma invicta, vencendo 18 jogos e empatando 4. A equipe do Preston somou 40 pontos (naquela época cada vitória valia 2 pontos), marcou 74 gols, sofreu 15 e ainda teve o artilheiro da liga – John Goodall que marcou 21 gols em 21 jogos (Goodall ficou uma partida sem jogar).
Todos os clubes que disputaram o primeiro campeonato profissional de futebol do mundo, ainda fazem parte da liga inglesa de futebol.

Classificação Final da temporada 1888/89
01 – Preston North End FC 40 pontos
02 – Aston Villa FC 29 pontos
03 – Wolverhampton Wanderers FC 28 pontos
04 – Blackburn Rovers FC 26 pontos
05 – Bolton Wanderers FC 22 pontos
06 – West Bromwich FC 22 pontos
07 – Accrington FC 20 pontos
08 – Everton FC 20 pontos
09 – Burnley FC 17 pontos
10 – Derby County FC 16 pontos
11 – Notts County FC 12 pontos
12 – Stoke City FC 12 pontos.

Fonte: http://fernandoamaralfc.blogspot.com

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O Primeiro Goleiro Artilheiro

Goleiro brasileiro (de preto) foi o primeiro a marcar um gol na história do esporte

Ainda falando sobre goleiros, vimos que na última semana eles foram destaque (notadamente no Campeonato Carioca) marcando gols importantes nas partidas em que disputavam. De uns tempos para cá a função de um arqueiro deixou de ser apenas evitar os gols adversários, passou a ser fazê-los também. Em sua imensa maioria são marcados de falta ou de pênalti, mas alguns deles se aventuram na área oposta para tentar um cabeceio ou um rebote naquelas horas de desespero, quando suas equipes precisam do gol. Sem falar de outros tantos que contam com uma ajudinha da sorte (leia-se vento forte a favor, campo irregular ou falha do goleiro do outro time) num chutão para frente num tiro de meta ou numa falta.

Os gols de goleiro começaram a ficar mais constantes depois que o excêntrico colombiano René Higuita se insinuou a marcá-los. Depois foi a vez do paraguaio José Luís Chilavert, que cobrava faltas com perfeição. Também tivemos o alemão Hans-Jörg Butt, do Hamburgo, que era o cobrador oficial de pênaltis de sua equipe. No Brasil a moda pegou com o sãopaulino Rogério Ceni, o maior goleador do mundo de sua posição na atualidade com 85 gols, e está sendo seguida pelos arqueiros Bruno e Tiago, de Flamengo e Vasco respectivamente.

Observando tudo isso me impus um desafio: encontrar o primeiro goleiro a marcar um gol na história do futebol que se tem notícia. Eu já tinha conhecimento de como e em que época havia sido marcado (sem precisar, contudo, a data), porém faltava o principal: quem fez! Não foi fácil e foi preciso muita busca nos arquivos das federações de futebol pelo mundo a fora pela internet. Mas como bom brasileiro que nunca desiste, encontrei a informação! E, para surpresa total deste que lhes escreve, a façanha foi realizada por um brasileiro! Vejamos a seguir.

O ano foi o longínquo 1938, mais precisamente no dia 08 de maio, durante a decisão da Copa da França entre Olympique de Marseille e FC Metz. A partida terminou 2 a 1 para o primeiro e seria mais uma final como outra qualquer se não fosse um dos gols que entrou para a história do futebol. O confronto estava 1 a 0 para o Metz quando o zagueiro Laurent fez pênalti em um atacante adversário aos 22 minutos do primeiro tempo. Para surpresa dos cerca de 33 mil espectadores presentes ao Parc des Princes, em Paris, eis que o goleiro do OM sai de sua meta em direção à área adversária, coloca a bola debaixo dos braços e se prepara para cobrá-lo. Suspense e euforia nas arquibancadas do estádio. O arqueiro bate o penalidade e desloca seu companheiro de posição decretando o empate. Esse mesmo jogador não foi só o herói da decisão simplesmente pelo gol feito, mas também por ter defendido um pênalti aos 28 minutos da segunda etapa chutado pelo atacante Donzelle que garantiu a vitória do Olympique e, consequentemente, o título do torneio.

Nos dias seguintes os jornais franceses estampavam em suas principais manchetes algo do tipo "Foi um lance sensacional! Um arqueiro fazer um gol contra o adversário!" ou "Em nossa cidade jamais houve um caso, em partida oficial, de um arqueiro cobrar um penalti". Até o então presidente francês, Albert Lebrun, cumprimentou o atleta pessoalmente por tamanho feito.

O goleiro em questão era o brasileiro Jaguaré, que iniciou sua carreira no Atlético Santista em 1926 e também atuou pelo carioca Vasco da Gama. Ele, ao lado de Amphilóquio Guarisi (ou simplesmente Filó), foi o brasileiro pioneiro nas transferências internacionais quando foi vendido ao Barcelona da Espanha em 1932. Apesar da imensa habilidade com a bola nas mãos também era um exímio transgressor de regras, e entrou para a história não só pelo fato de ter sido o primeiro, mas pela ousadia do arqueiro de "peitar" os companheiros de linha e se deslocar de sua meta até a área adversária para cobrar o pênalti, algo até então jamais cogitado em uma partida de futebol - ainda mais em uma decisão como ocorreu.

Jaguaré Bezerra de Vasconcelos tinha uma enorme capacidade tanto dentro do campo como fora dele - no primeiro caso com sua imensa habilidade e, no segundo, pela maneira irreverente e despretensiosa como encarava a profissão e a vida. Nascido em 14 de maio de 1905 no Rio de Janeiro/RJ, Jaguaré iniciou sua carreira tarde para os padrões atuais - aos 21 anos no amador Atlético Santista/SP. Antes de aventurar-se no mundo da bola trabalhava como estivador no Moinho Inglês. Seu estilo arrojado de defender o gol e suas "traquinagens" nas partidas eram certeza de encantamento e diversão para o público presente. Tanto que suas atuações chamaram atenção do Vasco da Gama em 1928 e para lá rumou, onde permaneceu até 1931 e ajudou o clube a faturar o título carioca de 1929. Com a grande campanha do time cruzmaltino foi convocado para defender a Seleção Brasileira em 3 oportunidades entre 1928 e 29.

Nesse mesmo ano, como premiação pela conquista, a direção vascaína promoveu uma excursão do clube até Portugal. Após algumas partidas amistosas Jaguaré ficou encantado com a forma totalmente profissional com que os europeus tratavam o futebol. Em 1932, a seu próprio pedido, transferiu-se para o poderoso Barcelona da Espanha juntamente com seu companheiro Fausto - o "Maravilha Negra". No "Barça", entretanto, suas peripécias não eram muito bem aceitas pelos profissionais que administravam o time. Seu nome já era falado nos 4 cantos do Brasil, pois ele, Fausto e Filó (este na Lazio/ITA) eram os únicos jogadores brasileiros de futebol que atuavam profissionalmente na Europa àquela época. Ficou na equipe catalã por um ano e voltou para o futebol brasileiro para jogar pelo Corinthians. Dois anos mais tarde, em 1936, retornou à Europa, mais precisamente para o Olympique de Marseille da França, onde entrou para a história.

Durante suas férias no Brasil sempre comparecia aos treinos do Vasco e até participava deles. A torcida, já idolatrando o jogador, lotava as dependências de São Januário para vê-lo em ação. Como bom brincalhão que era chegava usando terno branco e chapéu chile levemente pendido para o lado. Quando voltava dos vestiários trazia boné e luvas tal qual os goleiros europeus. Esse fato fez com que Jaguaré fosse o primeiro goleiro brasileiro a usar luvas em uma partida de futebol.

Quando ainda atuava em terras brasileiras, Jaguaré tinha facilidade de colecionar fãs na mesma proporção que criar desafetos. Com seu gênio moleque atordoava os adversários com suas "gracinhas" em campo e explodia de alegria os torcedores no estádio. O goleiro quase sempre fazia algum tipo de promessa para desmoralizar o clube no qual ele iria enfrentar no próximo confronto. E essas palavras sempre irritavam profundamente os atletas das outras agremiações - e as promessas quase sempre eram cumpridas. Em uma partida entre Vasco e Bangu prometeu à torcida que iria driblar o atacante Ladislau, que já entrou em campo bastante irritado com o fato. Em determinada disputa de bola com o oponente, Jaguaré deu um lençol num primeiro momento. Quando o centroavante tentou retornar para tomar a bola, levou outro "chapéu" com direito a bola girando no dedo indicador do arqueiro após o lance genial.

Suas brincadeiras excessivas em campo quase lhe custaram o emprego no time francês. Certa vez, em uma partida contra o Racing pela Copa da França, Le Jaguar, como era conhecido por lá, fez uma defesa de bicicleta. Em outra ocasião, dessa vez na Inglaterra, atirou a bola na cabeça de um adversário após fazer a defesa. O árbitro da partida paralisou o jogo e comunicou ao então capitão do Olympique que não iria permitir outra atitude como essa. Ainda assim puniu o time francês com um tiro livre indireto (nos dias atuais além da falta o arqueiro seria fatalmente expulso pela agressão). Mesmo com todas essas polêmicas ajudou o OM a conquistar o Campeonato Francês de 1937 e a Copa da França de 1938, na final em que fez o primeiro gol de goleiro da história do futebol.

Em 1940, com o andamento da II Guerra Mundial na Europa, retornou ao Brasil amedrontado com a atual situação dos países europeus. Tentou acerto com o carioca São Cristóvão, mas logo abandonou o futebol aos 35 anos. Perdeu tudo o que havia ganho com o futebol no Velho Continente e voltou a trabalhar como estivador. Desapareceu como um encanto e não deu mais notícias. Sua última aparição foi em uma matéria de jornal, com data de 27 de outubro de 1940, onde aparecia morto por espancamento após provocar uma briga com policiais em Santo Anastácio, no interior de São Paulo.

Nos dias atuais não é incomum ver um goleiro subir até a área adversária e se arriscar num cabeceio durante um escanteio, cobrar faltas e pênaltis. E esses feitos muito se devem a Jaguaré, que deixou um importante legado de irreverência e ousadia para o futebol - que os digam René Higuita, José Luís Chilavert e Rogério Ceni.

Abaixo, dados e estatísticas do irreverente goleiro artilheiro.
- Nome: Jaguaré Bezerra de Vasconcelos
- Nascimento: 14 de maio de 1905 no Rio de Janeiro/RJ
- Posição: goleiro
- Apelido: Le Jaguar
- Clubes (6): Atlético Santista (1926/27), Vasco da Gama (1928/31), Barcelona/ESP (1932/1933), Corinthians (1934/35), Olympique de Marseille/FRA (1936/39) e São Cristóvão (1940)
- Títulos (3): Campeonato Carioca (1927), Campeonato Francês (1937) e Copa da França (1938)
- Seleção Brasileira: 3 partidas entre 1928 e 1929

Fonte: http://futebolhistoria.blogspot.com/

O Primeiro Goleiro Artilheiro

Goleiro brasileiro (de preto) foi o primeiro a marcar um gol na história do esporte

Ainda falando sobre goleiros, vimos que na última semana eles foram destaque (notadamente no Campeonato Carioca) marcando gols importantes nas partidas em que disputavam. De uns tempos para cá a função de um arqueiro deixou de ser apenas evitar os gols adversários, passou a ser fazê-los também. Em sua imensa maioria são marcados de falta ou de pênalti, mas alguns deles se aventuram na área oposta para tentar um cabeceio ou um rebote naquelas horas de desespero, quando suas equipes precisam do gol. Sem falar de outros tantos que contam com uma ajudinha da sorte (leia-se vento forte a favor, campo irregular ou falha do goleiro do outro time) num chutão para frente num tiro de meta ou numa falta.

Os gols de goleiro começaram a ficar mais constantes depois que o excêntrico colombiano René Higuita se insinuou a marcá-los. Depois foi a vez do paraguaio José Luís Chilavert, que cobrava faltas com perfeição. Também tivemos o alemão Hans-Jörg Butt, do Hamburgo, que era o cobrador oficial de pênaltis de sua equipe. No Brasil a moda pegou com o sãopaulino Rogério Ceni, o maior goleador do mundo de sua posição na atualidade com 85 gols, e está sendo seguida pelos arqueiros Bruno e Tiago, de Flamengo e Vasco respectivamente.

Observando tudo isso me impus um desafio: encontrar o primeiro goleiro a marcar um gol na história do futebol que se tem notícia. Eu já tinha conhecimento de como e em que época havia sido marcado (sem precisar, contudo, a data), porém faltava o principal: quem fez! Não foi fácil e foi preciso muita busca nos arquivos das federações de futebol pelo mundo a fora pela internet. Mas como bom brasileiro que nunca desiste, encontrei a informação! E, para surpresa total deste que lhes escreve, a façanha foi realizada por um brasileiro! Vejamos a seguir.

O ano foi o longínquo 1938, mais precisamente no dia 08 de maio, durante a decisão da Copa da França entre Olympique de Marseille e FC Metz. A partida terminou 2 a 1 para o primeiro e seria mais uma final como outra qualquer se não fosse um dos gols que entrou para a história do futebol. O confronto estava 1 a 0 para o Metz quando o zagueiro Laurent fez pênalti em um atacante adversário aos 22 minutos do primeiro tempo. Para surpresa dos cerca de 33 mil espectadores presentes ao Parc des Princes, em Paris, eis que o goleiro do OM sai de sua meta em direção à área adversária, coloca a bola debaixo dos braços e se prepara para cobrá-lo. Suspense e euforia nas arquibancadas do estádio. O arqueiro bate o penalidade e desloca seu companheiro de posição decretando o empate. Esse mesmo jogador não foi só o herói da decisão simplesmente pelo gol feito, mas também por ter defendido um pênalti aos 28 minutos da segunda etapa chutado pelo atacante Donzelle que garantiu a vitória do Olympique e, consequentemente, o título do torneio.

Nos dias seguintes os jornais franceses estampavam em suas principais manchetes algo do tipo "Foi um lance sensacional! Um arqueiro fazer um gol contra o adversário!" ou "Em nossa cidade jamais houve um caso, em partida oficial, de um arqueiro cobrar um penalti". Até o então presidente francês, Albert Lebrun, cumprimentou o atleta pessoalmente por tamanho feito.

O goleiro em questão era o brasileiro Jaguaré, que iniciou sua carreira no Atlético Santista em 1926 e também atuou pelo carioca Vasco da Gama. Ele, ao lado de Amphilóquio Guarisi (ou simplesmente Filó), foi o brasileiro pioneiro nas transferências internacionais quando foi vendido ao Barcelona da Espanha em 1932. Apesar da imensa habilidade com a bola nas mãos também era um exímio transgressor de regras, e entrou para a história não só pelo fato de ter sido o primeiro, mas pela ousadia do arqueiro de "peitar" os companheiros de linha e se deslocar de sua meta até a área adversária para cobrar o pênalti, algo até então jamais cogitado em uma partida de futebol - ainda mais em uma decisão como ocorreu.

Jaguaré Bezerra de Vasconcelos tinha uma enorme capacidade tanto dentro do campo como fora dele - no primeiro caso com sua imensa habilidade e, no segundo, pela maneira irreverente e despretensiosa como encarava a profissão e a vida. Nascido em 14 de maio de 1905 no Rio de Janeiro/RJ, Jaguaré iniciou sua carreira tarde para os padrões atuais - aos 21 anos no amador Atlético Santista/SP. Antes de aventurar-se no mundo da bola trabalhava como estivador no Moinho Inglês. Seu estilo arrojado de defender o gol e suas "traquinagens" nas partidas eram certeza de encantamento e diversão para o público presente. Tanto que suas atuações chamaram atenção do Vasco da Gama em 1928 e para lá rumou, onde permaneceu até 1931 e ajudou o clube a faturar o título carioca de 1929. Com a grande campanha do time cruzmaltino foi convocado para defender a Seleção Brasileira em 3 oportunidades entre 1928 e 29.

Nesse mesmo ano, como premiação pela conquista, a direção vascaína promoveu uma excursão do clube até Portugal. Após algumas partidas amistosas Jaguaré ficou encantado com a forma totalmente profissional com que os europeus tratavam o futebol. Em 1932, a seu próprio pedido, transferiu-se para o poderoso Barcelona da Espanha juntamente com seu companheiro Fausto - o "Maravilha Negra". No "Barça", entretanto, suas peripécias não eram muito bem aceitas pelos profissionais que administravam o time. Seu nome já era falado nos 4 cantos do Brasil, pois ele, Fausto e Filó (este na Lazio/ITA) eram os únicos jogadores brasileiros de futebol que atuavam profissionalmente na Europa àquela época. Ficou na equipe catalã por um ano e voltou para o futebol brasileiro para jogar pelo Corinthians. Dois anos mais tarde, em 1936, retornou à Europa, mais precisamente para o Olympique de Marseille da França, onde entrou para a história.

Durante suas férias no Brasil sempre comparecia aos treinos do Vasco e até participava deles. A torcida, já idolatrando o jogador, lotava as dependências de São Januário para vê-lo em ação. Como bom brincalhão que era chegava usando terno branco e chapéu chile levemente pendido para o lado. Quando voltava dos vestiários trazia boné e luvas tal qual os goleiros europeus. Esse fato fez com que Jaguaré fosse o primeiro goleiro brasileiro a usar luvas em uma partida de futebol.

Quando ainda atuava em terras brasileiras, Jaguaré tinha facilidade de colecionar fãs na mesma proporção que criar desafetos. Com seu gênio moleque atordoava os adversários com suas "gracinhas" em campo e explodia de alegria os torcedores no estádio. O goleiro quase sempre fazia algum tipo de promessa para desmoralizar o clube no qual ele iria enfrentar no próximo confronto. E essas palavras sempre irritavam profundamente os atletas das outras agremiações - e as promessas quase sempre eram cumpridas. Em uma partida entre Vasco e Bangu prometeu à torcida que iria driblar o atacante Ladislau, que já entrou em campo bastante irritado com o fato. Em determinada disputa de bola com o oponente, Jaguaré deu um lençol num primeiro momento. Quando o centroavante tentou retornar para tomar a bola, levou outro "chapéu" com direito a bola girando no dedo indicador do arqueiro após o lance genial.

Suas brincadeiras excessivas em campo quase lhe custaram o emprego no time francês. Certa vez, em uma partida contra o Racing pela Copa da França, Le Jaguar, como era conhecido por lá, fez uma defesa de bicicleta. Em outra ocasião, dessa vez na Inglaterra, atirou a bola na cabeça de um adversário após fazer a defesa. O árbitro da partida paralisou o jogo e comunicou ao então capitão do Olympique que não iria permitir outra atitude como essa. Ainda assim puniu o time francês com um tiro livre indireto (nos dias atuais além da falta o arqueiro seria fatalmente expulso pela agressão). Mesmo com todas essas polêmicas ajudou o OM a conquistar o Campeonato Francês de 1937 e a Copa da França de 1938, na final em que fez o primeiro gol de goleiro da história do futebol.

Em 1940, com o andamento da II Guerra Mundial na Europa, retornou ao Brasil amedrontado com a atual situação dos países europeus. Tentou acerto com o carioca São Cristóvão, mas logo abandonou o futebol aos 35 anos. Perdeu tudo o que havia ganho com o futebol no Velho Continente e voltou a trabalhar como estivador. Desapareceu como um encanto e não deu mais notícias. Sua última aparição foi em uma matéria de jornal, com data de 27 de outubro de 1940, onde aparecia morto por espancamento após provocar uma briga com policiais em Santo Anastácio, no interior de São Paulo.

Nos dias atuais não é incomum ver um goleiro subir até a área adversária e se arriscar num cabeceio durante um escanteio, cobrar faltas e pênaltis. E esses feitos muito se devem a Jaguaré, que deixou um importante legado de irreverência e ousadia para o futebol - que os digam René Higuita, José Luís Chilavert e Rogério Ceni.

Abaixo, dados e estatísticas do irreverente goleiro artilheiro.
- Nome: Jaguaré Bezerra de Vasconcelos
- Nascimento: 14 de maio de 1905 no Rio de Janeiro/RJ
- Posição: goleiro
- Apelido: Le Jaguar
- Clubes (6): Atlético Santista (1926/27), Vasco da Gama (1928/31), Barcelona/ESP (1932/1933), Corinthians (1934/35), Olympique de Marseille/FRA (1936/39) e São Cristóvão (1940)
- Títulos (3): Campeonato Carioca (1927), Campeonato Francês (1937) e Copa da França (1938)
- Seleção Brasileira: 3 partidas entre 1928 e 1929

Fonte: http://futebolhistoria.blogspot.com/

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A Bola


Bola Antiga Década de 40 Copa de 1962

Todas eram muito parecidas entre si, mas bem diferentes das bolas de hoje. Eram de couro e tinham uma abertura por onde entrava uma câmara inflável de borracha. O principal problema surgia na hora de cabecear, quando o cadarço que amarrava a fenda podia machucar as cabeças menos protegidas, daí o hábito de muitos jogadores usarem uma touquinha. Outro fator que atrapalhava era a chuva - quando a bola molhava ficava extremamente encharcada e pesada, dificultando sobremaneira o seu domínio e os chutes e cabeceios.

Shoot, Fussball e Dupont. Estas eram as marcas das primeiras bolas (primeira ilustração) que rolaram no Brasil. Seus donos eram rapazes da alta sociedade que haviam estudado na Europa, onde aprenderam a jogar o "football". As pioneiras, Shoot, vieram da Inglaterra trazidas pelo brasileiro e "inventor" do futebol no país Charles Miller, no ano de 1894. Já a Fussball foi trazida da Alemanha por Hans Nobiling pouco tempo depois. Finalmente a Dupont foi uma encomenda de Oscar Cox a um amigo que viajou à Suíça na mesma época.

No inicio do futebol brasileiro, para suprir a demanda cada vez maior, a saída foi importar bolas inglesas. A mais procurada era a da marca McGregor. Mas não tardou para que um artesão de nome Caetano começasse a fabricar as primeiras bolas nacionais na sua sapataria da Rua Ipiranga, em São Paulo. Logo, outros sapateiros entraram no ramo promissor e o Brasil passou de importador a exportador de bolas, principalmente para nossos "hermanos" Argentina e Uruguai. Mesmo assim a pelota era um artigo de luxo, muito caras à época, e a criançada brincava mesmo era com bolas de meia recheadas com papel ou palha. A maior parte dos nossos craques começou assim. Que o digam Pelé, Garrincha e Cia Ltda.

Na década de 40, a bola que imperava nos gramados brasileiros (segunda ilustração) tinha uma costura interna, sem a abertura e o cordão. Mas o seu couro marrom continuava a encharcar nos dias de chuva ou nos campos cheios de lama. Ficava tão pesada que muitos goleiros tinham que jogar de esparadrapo nas mãos e os atletas de linha precisavam enfaixar os pés.

A partir da Copa de 62, no Chile, a bola (terceira ilustração) passou a ser fabricada com dezoito gomos, ganhando uma forma mais perfeita e estável. A cor branca, que sempre foi usada nos jogos noturnos, se tornou também a preferida nos realizados durante o dia depois da Copa de 70, no México. Hoje as bolas são obras da tecnologia - pelo menos no exterior. Como referência o modelo da bola utilizada na Copa de 94, nos EUA, foi desenvolvida com diversas camadas de material sintético, que potencializava os chutes e apresentava alta durabilidade e resistência.

De acordo com as normas internacionais do futebol, a bola deve ser esférica, com o invólucro exterior de couro ou em outro material apropriado. Não poderá ser empregado em sua confecção nenhum material que possa representar perigo aos jogadores. A bola deverá ter uma circunferência de, no máximo, 70 cm e, no mínimo, 68 cm. Seu peso, no início da partida, deverá ser entre 410 g e 450 g . E a pressão deverá estar entre 0,6 e 1,1 atm (600 - 1.100 g/cm²) ao nível do mar.

Imagens: Arquivo Federação Gaúcha de Futebol
Fonte: Blog Futebol: uma história para conta

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

GRENAL DO SÉCULO, 20 anos depois...

Fazem 20 anos hoje, mas ainda está bem vivo na minha memória.

O GRENAL 297 foi ímpar, valia a classificação para a final do Brasileirão de 1988, era um domingo de quase 40º, os dois times vinham de uma ótima campanha no campeonato, mas o Inter levava uma pequena vantagem, tinha a igualdade nos dois jogos e na prorrogação do seu lado.

A primeira partida, no Olímpico, tinha ficado nos 0x0.

Então a decisão foi para o Gigante, lotado, com quase 80 espectadores.

O Grêmio saiu na frente, logo em seguida, ainda no primeiro tempo, nós perdemos o lateral-esquerdo Casemiro expulso. O Grêmio perdia muitos gols, tanto que o célebre Rubens Minelli perdeu o controle no vestiário. Foi o que abriu o caminho para a derrota, segundo Alfinete, lateral-direito daquele time:

— O time estava com alegria, leve. No vestiário, o Minelli deu uma bronca e tirou o brilho do time. Disse que estávamos de brincadeira, de palhaçada. Ali perdemos o Gre-Nal.

Enquanto isto, no vestiário alvi-rubro, Abel Braga em vez de xingar, ficou por 10 minutos em um canto fitando o nada.

O centroavante Nilson sentou nas espreguiçadeiras de madeira e pensou:

— Hoje não vai ter jeito mesmo.

Antes de mandar o time a campo, Abel saiu da letargia e anunciou que o atacante Diego Aguirre entraria no lugar do volante Leomir. O ponta-esquerda Edu Lima fecharia o lado esquerdo com Norberto. E antes do time entrar para a segunda etapa gritou:

- Vocês fizeram esta porcaria. Voltem lá e resolvam.

O goleador do campeonato Nílson, resolveu!


Os gols de Nilson desestruturam o Grêmio. Aos 16, empatou o jogo. Aos 26, virou, ao aproveitar cruzamento de Maurício. Na comemoração, imitou o personagem Sassá Mutema, um cortador de cana interpretado por Lima Duarte na novela O Salvador da Pátria. Maurício garante que o cruzamento foi mecânico.
— Quando ia em direção à área, ele (Nilson) corria para o segundo pau. Sabia onde mandaria a bola. Chutei e ele botou o biquinho. Metade do gol é meu – diverte-se.

Naquele instante, os jogadores do Grêmio já não se entendiam.

— No segundo gol, nosso time se perdeu. Ninguém acreditava. O Minelli alertou para ficarmos espertos – recorda o ponteiro-esquerdo Jorge Veras.

Nilson se lembra de ver os jogadores do Grêmio discutindo em campo. O goleiro Mazarópi, lá de trás, havia diagnosticado antes da virada um relaxamento do time. O mesmo que havia enfurecido Minelli no vestiário. O meia do Inter Luís Carlos Martins se desdobrava em campo e ainda tentava entender a engenharia tática feita por Abel Braga:

— Este Gre-Nal dificilmente será superado, pelas circunstâncias. O Abel fez o contrário, ficamos com quatro atacantes.

Depois do segundo gol, Nilson se virou para a torcida e, acenando com as mãos, gritava:

— Tchauzinho, acabou para vocês.

A poucos minutos do fim, Maurício foi substituído e saiu de braços abertos, imitando um avião. Os colorados, ensandecidos, pareciam não acreditar no que viam. Os gremistas, abalados, também não.

Infelizmente perdemos o título para o Bahia, mas conquistamos o inesquecível GRENAL DO SÉCULO!!!

Ficha da partida:
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Data: 12/02/1989

Campeonato Brasileirão de 1988 (Semifinal - 2º jogo)
Placar: S.C. Internacional 2x1 Grêmio F.B.P.A.
Local: Estádio Beira-Rio (Porto Alegre-RS).
Renda: NCz$ 58.944,00
Público: 78.083
Juiz: Arnaldo Cezar Coelho.
Inter: Cláudio André Taffarel; Luís Carlos Winck, Nenê, Aguirregaray e Casemiro Mior; Norberto, Leomir (Diego Aguirre) e Luís Carlos Martins; Maurício (Norton), Nílson e Edu Lima. Técnico: Abel Carlos da Silva Braga.
Grêmio: Mazarópi, Alfinete, Trasante, Luís Eduardo e Aírton; Paulo Bonamigo, Serginho e Cristóvão; Jorginho, Marcus Vinícius e Roberto (Reinaldo Xavier). Técnico: Rubens Francisco Minelli.
Gols: Marcus Vinícius 25/1, Nílson 15/2 e Nílson 26/2.
Cartões Amarelos: Trasante e Aírton.
Expulsão: Casemiro 38/1.


Mais sobre o Grenal 297 em:
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Esportes&newsID=a2402513.xml

Ênio Vargas de Andrade

Jogador e técnico de futebol, nasceu em Porto Alegre/RS, no dia 31 de março de 1930 e faleceu aos 67 anos em sua cidade natal, no dia 22 de janeiro de 1997.

O JOGADOR

O Jogador

Jogador técnico e inteligente, Ênio iniciou a carreira no São José. Destacou-se no Internacional, mas apesar dos títulos, foi negociado com o Renner de Porto Alegre. Lá, formou o grande esquadrão da história do clube do bairro Navegantes. No final de 1958 foi negociado com o Palmeiras. No Verdão, iniciou o campeonato de 1959 como titular, mas perdeu a posição para Chinesinho (também ex-Internacional). Com a saída de Chinesinho, Ênio foi novamente preterido, com a contratação do carioca Ademir da Guia. A seguir, Ênio atuou em Pernambuco, e voltou ao São José, para encerrar a carreira de jogador e iniciar a de técnico.

Como jogador atuou nas seguintes equipes:


  • São José (Porto Alegre) - 1946-49
  • Internacional (Porto Alegre) - 1950-51
  • Renner (Porto Alegre) - 1952-58
  • Palmeiras (São Paulo) - 1958-61
  • Náutico (Pernambuco) - 1961
  • São José (Porto Alegre) - 1962

Títulos como jogador:

  • Campeão metropolitano em 1950, 1951 (Internacional) e 1954 (Renner)
  • Campeão gaúcho em 1950, 1951 (Internacional) e 1954 (Renner)
  • Campeão paulista em 1959 (Palmeiras)
  • Campeão da Taça Brasil em 1960 (Palmeiras)
  • Campeão panamericano em 1956 (Seleção Brasileira)

O TÉCNICO

O Técnico

Como técnico Ênio Andrade faria história em campeonatos brasileiros. Foi três vezes campeão, com três equipes diferentes: Internacional (1979), Grêmio (1981) e Coritiba (1985). Também foi duas vezes vice-campeão, com o Grêmio (1982) e Internacional (1987). Sua maior ligação foi com o Internacional e o Cruzeiro, clube que foi a casa do velho treinador, em seus últimos anos de carreira.

Sua filosofia simples de trabalho, que conquistava os jogadores, podia ser resumida em uma frase do mestre: "Eu perdi, nós empatamos, vocês ganharam".

Equipes pela qual Ênio Andrade disputou o campeonato brasileiro:
- 1975 Grêmio
- 1976 Santa Cruz
- 1977 Sport Club Recife
- 1978 Juventude
- 1979 Internacional
- 1980 Internacional
- 1981 Grêmio
- 1982 Grêmio
- 1984 Náutico Capibaribe
- 1985 Coritiba
- 1986 Sport Club Recife
- 1987 Internacional
- 1988 Palmeiras
- 1989 Cruzeiro
- 1990 Internacional
- 1991 Internacional
- 1992 Cruzeiro
- 1994 Cruzeiro
- 1995 Cruzeiro

Resumo:
361 partidas
151 vitórias
100 empates
110 derrotas
20 campeonatos disputados